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Miúda com 30

26
Mai20

Um dia não

Ti*

Saí de casa,

as lágrimas corriam-me pela cara baixo,

se estava triste,não,

se estava zangada,não,

se estava cansada,não,

estava vazia!

Sentia-me perdida,

pelo vazio de sentimentos vãos,

de ausência de quereres,

de vontades,

de opiniões.

Sentia-me despida,

de valores,

de sabedoria,

de pés descobertos,

senti-me fria,

distante de mim mesma.

Regressei,

porque não vivo só,

entrei vestida dentro do chuveiro,

tentar limpar o imundo,

que agora percebo que há em mim,

por não dizer o que penso sempre,

por ser boazinha demais,

e por achar que sou para os outros,

o que comigo,

em nada são iguais.

Chorei de novo,

lágrimas de aflição,

e não estava lá quem eu queria,

para me dar a mão.

24
Mai20

Um desejo fechado

Ti*
Estamos a chegar à máxima de tempo,

Resistência, crença e humilhação.

Não sabemos bem se continuar é uma solução,

Mas enquanto o corpo for feliz,

Avançamos na tesão.

Deixando de lado a razão,

Fazendo de conta que nunca entrou o coração.

Somos a tristeza e o imundo,

De dois corpos em pecado banhados,

Em cenários tão criticados,

E em inúmeras posições obscenas.

Somos almas perdidas,

Vidas sem sentido vividas,

E um historial de saídas,

Pouco ou nada

Interessantes,

A segurar o desejo,

A medo, nem um olhar ou sorriso dar,

E tudo para parecer desprezo,

A quem se quer bem entregar.
23
Mai20

Sexo quem não gosta?!

Ti*


Um beijo,
Rápido ou longo caminho,
Para a meta do prazer.
Um olhar no olho,
Bem perto,
Quase colado.
É estar de joelhos de frente para alguém,
Deixar que te toque,
Tocar-lhe também.
É um coração a bombear a mil à hora,
É desejo,
É vontade, de céu azul,
Sem demora.
É um arrumar o cabelo entre os dedos,
De mãos entrelaçadas,
Esquecer vergonhas e medos.
É palmadas,
É morder,
É beliscar e chupões fazer.
É vida,
É emoção,
É ter dois corpos em explosão.
É boca insaciada,
De beijos,
De língua,
É um vício que aparece quase do nada.
Um acender de fósforo,
Que acontece num segundo,
E faz esquecer o nome,
Onde está,
Faz esquecer do mundo.
É forno quente de vontades,
De uma boca que o sopre,
Que o sugue,
Que o beije.
É um imperativo de dedos,
De objetos,
Que lá entre,
E não aleije.
É ser feliz,
Ao ser mulher,
É ir ao céu as vezes que se puder.
É amor e rebeldia,
É agarrar com as pernas outra anca,
Com tesão,
Com alegria,
Estar numa vontade que dura,
E quando acaba sentir,
Uma paz que é verdadeiramente pura.
Seja um corpo igual,
Seja o sexo oposto,
Seja eu por cima,
Ou de lado,
Não importa como é o encosto.
É desejo,
É emoção,
Faz bem à pele e ao coração.
É viagem,
É preferido destino,
É sem local,
Onde der vontade,
É normal,
É humano,
É frequente,
Nada insano.
É saciação de um milhão,
É permitir na tesão.
Descobrir-se na cumplicidade,
Aceitar-se sem complexidade.
É um deixar-se ir,
Um querer mais ali ficar.
Acabar o ato,
E naqueles braços,
Adormecer,
Horas depois acordar,
E mais uma volta,
Ao mundo querer dar.

E tu, dás cor ao teu orgasmo?!

22
Mai20

Um dia de cada vez

Ti*

Ando no caminho errado,
A desenhar as linhas dia a dia,
Ando a caminhar sem corda para me guiar,
Ou sapatos com aderência ao solo.
Ando a voar bem alto,
E tenho medo de cair um dia.
Ando a ouvir conselhos,
A ouvir amor,
E apenas por respeito,
Me deixo, na dor.
Mostro semepre o sorriso,
Mesmo a quem não é preciso,
Ninguém sabe o que vai no meu mundo,
Mas o seu, pode ser bem pior e mais fundo.
Ando na tentativa falsa,
Da felicidade verdadeira.
Soube há pouco tempo,
Que não existe, é passageira.
Ando e andarei até poder,
Até respirar e tiver força,
Por bem a outro ser,querer.

19
Mai20

Um mix de emoções

Ti*

A tristeza,

De estar em volta da mesa,

Sem se tocar ,

Com medo de falar demasiado perto.

Alguém que te é tão querido fazer anos,

E nem beijar, nem abraçar se pode,

Existe uma carência de afetos,

Uma necessidade gigante,

De beijar até babar o rosto,

De abraçar sem descolar,

De falar no ouvido,

Amo-te para sempre,

Mãe nunca me faltes,

Pai és o maior,

Sobrinha a tia ama-te,

Amiga ter-te é uma sorte!

É bom e é mau,

É agradável e assustador,

A impessoalidade passou a ser diária,

E a nossa estadia de longe, mas próxima,

Passou a ser necessária.

Para segurança de todos,

E desgosto de outros tantos,

Para o bem dos mais frágeis,

E para depressão dos mais ágeis,

Que no pegar ao colo é que estão bem,

E só assim se sentem ,verdadeiramente perto de alguém.

18
Mai20

17h50

Ti*

Eram dez pras seis,
A porta abriu-se,
Num dia comum,
Normalíssimo,
Sem distinção,
E eis que algo o mudou,
Olhaste-me nos olhos,
Falas-te pouco ou nada,
E quase sem dar por mim,
Estávamos de boca colada.
Em cinco minutos perdi a hora,
Em cinco minutos,já nem sabia onde estava,
Mas na verdade,
Deu-me vontade de abandonar tudo,
Porque sem ti estava vazia,
Sem saber, que os dias contava,
E este dia voltaria a chegar.
A oportunidade e o privilégio,
Desses lábios doces beijar.
Toque que vicia,
Olhar que acarinha,
Outra forma não havia,
Já tenho a tua paixão, e tu também tens a minha.

17
Mai20

A cama

Ti*

São vários tecidos,
É frio,
É calor,
É a distância entre dois corpos.
Onde ocorrem de quando em vez,
encontros de amor.
É agonia por insónias,
É despertar preguiçoso,
É na doença estar queixoso,
E não a conseguir abandonar.
É serenidade,
É ausência de vontade,
É ninho,
É verão ou inverno,
Lençol fino.
É esperança,
É reflexão,
É contrariar o coração,
E a cada deitar,
Pensar como será o amanhã,
E a cada erguer,
A satisfação, que mais uma noite passou,
Bem ou mal dormida,
E posso assim somar,
Um dia a mais de vida.

 
15
Mai20

Mais um sonho

Ti*

Despi o preconceito,

assim deste meu jeito,

abri a porta da loucura, 

e atirei-me de cabeça.

Fui em pés descalços,

e voltei gelada,

mas feliz,

saciada.

Nada arrependida,

nada amargura,

nada cansada,

apenas de pecado,

inundada.

Em todo o meu corpo,

trazia salivas tuas,

vestígios das tuas mãos nele,

havia algumas marcas,

de delírios teus.

Toda a minha alma,

parecia estar em paz,

mas ela é bem fugaz,

e acordei do sonho,

em que esta escrita me levou,

e estava no sofá da sala,

com os pés frios,

sem manta a cobri-los,

lábios secos,

corpo adormecido e olhando o meu corpo,

nada com ele tinha havido.

14
Mai20

Chega de isolamento

Ti*

Chega de fechar,

de fechar os braços a abraços,

de privar os lábios a beijos,

de não me aproximar,

de esconder os meus desejos.

Chega de silêncios,

de olhares tristes e vagos,

de ecrãs carregados de saudades.

Chega de melancolias,

de lembranças, 

de fantasias.

Quero vivências,

quero alegrias.

Chega de falar por escrito,

de me ver a falar para uma câmara,

eu quero junto contigo dar um grito,

e ir pelo passeio,

sem destino.

Chega de calar sentimentos,

se chorar por lamentos,

porque estamos vivos,

e isso já se deve,

a bons comportamentos.

Chega de cenários negros,

de guardar segredos,

de sufocar sozinha,

o que sente também a vizinha.

Chega de restrições,

temos tantas ambições.

Chega de sermões,

de máscaras, luvas e repreensões.

Eu estou farta desta vida,

que me é tão desconhecida,

eu quero voltar a sair à rua,

livre,

feliz,

Eu quero voltar à vida!

13
Mai20

60 dias

Ti*

Hoje 60 dias depois,
de um isolamento forçado,
por um vírus malvado,
Cá estou eu numa escrita,
Revoltada e aflita.
Quero saber quando,
Quando sairemos de casa sem medo,
Quando seremos livres de novo,
Quando seremos abraçados e beijados,
sem medo de ficar adoentados,
Quando será possível os miúdos levar ao parque,
Deixá-los brincar à vontade,
Conviver com os outros na realidade.
A câmara do computador,
Não são a mesma coisa,
Precisamos de mais,
Que nos envolva e nos faça respirar livremente,
Precisamos de normalidade urgente!

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