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Miúda com 30

31
Mai20

O fim da espera

Ti*

Sinto a falta da violência de cada palmada,
De cada puxão de cabelo,
De cada palavra não dita,
Que trocamos só com o olhar.

Sinto falta de sossegos,
Se partilhas de medos,
De refeições envergonhadas,
De horas perdidas,
Por rapidinhas inesperadas.

Com esta falta a possibilidade,
Tive de me habituar à falta de tudo,
E o voltar,
Dá-me medo,
De não saber esconder segredo,
De ser visível,
Em qualquer espaço,
Que a qualquer momento,
Me apetece roubar-te um pedaço.


O voltar a habituar-me a ser de volta,
Aquela que te persegue,
E os teus sentidos assalta.

30
Mai20

"Se arrependimento matasse"

Ti*

Uma revolta,

um arrependimento,

que me mata,

que me moí,

que me desespera por dentro.

Depois de tanto tempo,

de tanto ou quase nada acontecer,

como me vens com pedidos,

implorando para tudo esconder?!

Fodi-te a vida,

e tu a minha ?!

Que me usaste como uma peúga,

que se usa para agasalhar o frio,

e se retira depois de o pé ter aquecido?!

Que me ignoras-te os elogios,

e deixaste de me falar,

e dois anos depois,

vens com pedidos me perturbar?!

Me dizer que estás perdido, 

fodido,

sem saída,

e que se for interrogada,

minta para o bem da tua vida.

És homem caralho!

És pila que não sabe ficar dentro das calças,

és ser humano,

que mente e ama.

E agora que te apertam,

desesperas,

e vens fazer-me perder a calma?!

Bem sei que tanto é culpado,

quem faz,

como quem se deixa levar por fazer,

mas já foi à tanto tempo,

que eu só queria esquecer!

29
Mai20

Viver a infância

Ti*

Entre gritos histéricos,

Volume alto da televisão,

Entre imagens de bonecada,

E uma carita amuada,

Lá a consegui adormecer.

Era a primeira vez ,

Que a minha cama tinha uma criança,

Que não é minha,

Mas parte de mim.

Sobrinha mais nova,

Com a sua irmã a caminho,

No sexto mês de gestação.

Sou uma sortuda por ser capaz de acompanhar,

De mimar,

De a ter para mim,

Um amor,

Uma conquista se lhe posso chamar assim.

Fomos ao parque,

Dêmos risadas,

Brincamos,

E conversamos,

Como duas crianças encantadas.

28
Mai20

Pequeno ser

Ti*

Foi a primeira vez em cinco anos quase seis,

Que a tive comigo a dormir,

Foi uma ânsia, um nervosismo, uma emoção,

Como não tenho filhos,

Acresce uma certa preocupação.

O que come,

Horários,

Como dar banho.

Mas havia um interesse nesta primeira vez,

Também ela,

Nervosa e ansiosa,

Queria conhecer o Buddy,

gatinho que tenho há mais de um mês,

O qual já tinha visto nas vídeo chamadas.

Em pânico lá conseguiu fazer festas,

E perceber que um pequeno ser, 

a outro, mal,não pode fazer.

27
Mai20

As 7 horas

Ti*

Adormeço tarde,
Já passa da meia noite,
Julgo que vou conseguir descansar bem,
Então nem há despertador para ninguém.
Mas abro o olho e são 7h,
Esse é limite das minhas horas dormidas,
Nos últimos dias
Como se o corpo,
Não precisasse de mais,
Como se a mente nem parar conseguisse.
E como se todo um dia enorme,
Eu tivesse possibilidade de aproveitar.
Mas os dias são todos iguais,
Há umas pequenas diferenças,
Mas nada de novo,
Nada de emocionante,
Nada de cativante,
Ao ponto de mal dormir,
Ansiosa ou expectante.
As 7h são o limite do meu sono,
E começo a ficar farta!
Mas é quase verão,
Pode ser que seja bom,
Começar o dia mais cedo,
E viver sem aquele inicial medo,
O vírus ainda está presente,
Mas o português já se adaptou,
E no meio de tanto mal,
O bolso, a mente e o sono,
Foi o que a mim transformou.

26
Mai20

Um dia não

Ti*

Saí de casa,

as lágrimas corriam-me pela cara baixo,

se estava triste,não,

se estava zangada,não,

se estava cansada,não,

estava vazia!

Sentia-me perdida,

pelo vazio de sentimentos vãos,

de ausência de quereres,

de vontades,

de opiniões.

Sentia-me despida,

de valores,

de sabedoria,

de pés descobertos,

senti-me fria,

distante de mim mesma.

Regressei,

porque não vivo só,

entrei vestida dentro do chuveiro,

tentar limpar o imundo,

que agora percebo que há em mim,

por não dizer o que penso sempre,

por ser boazinha demais,

e por achar que sou para os outros,

o que comigo,

em nada são iguais.

Chorei de novo,

lágrimas de aflição,

e não estava lá quem eu queria,

para me dar a mão.

24
Mai20

Um desejo fechado

Ti*
Estamos a chegar à máxima de tempo,

Resistência, crença e humilhação.

Não sabemos bem se continuar é uma solução,

Mas enquanto o corpo for feliz,

Avançamos na tesão.

Deixando de lado a razão,

Fazendo de conta que nunca entrou o coração.

Somos a tristeza e o imundo,

De dois corpos em pecado banhados,

Em cenários tão criticados,

E em inúmeras posições obscenas.

Somos almas perdidas,

Vidas sem sentido vividas,

E um historial de saídas,

Pouco ou nada

Interessantes,

A segurar o desejo,

A medo, nem um olhar ou sorriso dar,

E tudo para parecer desprezo,

A quem se quer bem entregar.
23
Mai20

Sexo quem não gosta?!

Ti*


Um beijo,
Rápido ou longo caminho,
Para a meta do prazer.
Um olhar no olho,
Bem perto,
Quase colado.
É estar de joelhos de frente para alguém,
Deixar que te toque,
Tocar-lhe também.
É um coração a bombear a mil à hora,
É desejo,
É vontade, de céu azul,
Sem demora.
É um arrumar o cabelo entre os dedos,
De mãos entrelaçadas,
Esquecer vergonhas e medos.
É palmadas,
É morder,
É beliscar e chupões fazer.
É vida,
É emoção,
É ter dois corpos em explosão.
É boca insaciada,
De beijos,
De língua,
É um vício que aparece quase do nada.
Um acender de fósforo,
Que acontece num segundo,
E faz esquecer o nome,
Onde está,
Faz esquecer do mundo.
É forno quente de vontades,
De uma boca que o sopre,
Que o sugue,
Que o beije.
É um imperativo de dedos,
De objetos,
Que lá entre,
E não aleije.
É ser feliz,
Ao ser mulher,
É ir ao céu as vezes que se puder.
É amor e rebeldia,
É agarrar com as pernas outra anca,
Com tesão,
Com alegria,
Estar numa vontade que dura,
E quando acaba sentir,
Uma paz que é verdadeiramente pura.
Seja um corpo igual,
Seja o sexo oposto,
Seja eu por cima,
Ou de lado,
Não importa como é o encosto.
É desejo,
É emoção,
Faz bem à pele e ao coração.
É viagem,
É preferido destino,
É sem local,
Onde der vontade,
É normal,
É humano,
É frequente,
Nada insano.
É saciação de um milhão,
É permitir na tesão.
Descobrir-se na cumplicidade,
Aceitar-se sem complexidade.
É um deixar-se ir,
Um querer mais ali ficar.
Acabar o ato,
E naqueles braços,
Adormecer,
Horas depois acordar,
E mais uma volta,
Ao mundo querer dar.

E tu, dás cor ao teu orgasmo?!

22
Mai20

Um dia de cada vez

Ti*

Ando no caminho errado,
A desenhar as linhas dia a dia,
Ando a caminhar sem corda para me guiar,
Ou sapatos com aderência ao solo.
Ando a voar bem alto,
E tenho medo de cair um dia.
Ando a ouvir conselhos,
A ouvir amor,
E apenas por respeito,
Me deixo, na dor.
Mostro semepre o sorriso,
Mesmo a quem não é preciso,
Ninguém sabe o que vai no meu mundo,
Mas o seu, pode ser bem pior e mais fundo.
Ando na tentativa falsa,
Da felicidade verdadeira.
Soube há pouco tempo,
Que não existe, é passageira.
Ando e andarei até poder,
Até respirar e tiver força,
Por bem a outro ser,querer.

19
Mai20

Um mix de emoções

Ti*

A tristeza,

De estar em volta da mesa,

Sem se tocar ,

Com medo de falar demasiado perto.

Alguém que te é tão querido fazer anos,

E nem beijar, nem abraçar se pode,

Existe uma carência de afetos,

Uma necessidade gigante,

De beijar até babar o rosto,

De abraçar sem descolar,

De falar no ouvido,

Amo-te para sempre,

Mãe nunca me faltes,

Pai és o maior,

Sobrinha a tia ama-te,

Amiga ter-te é uma sorte!

É bom e é mau,

É agradável e assustador,

A impessoalidade passou a ser diária,

E a nossa estadia de longe, mas próxima,

Passou a ser necessária.

Para segurança de todos,

E desgosto de outros tantos,

Para o bem dos mais frágeis,

E para depressão dos mais ágeis,

Que no pegar ao colo é que estão bem,

E só assim se sentem ,verdadeiramente perto de alguém.

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