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Miúda com 30

31
Mar20

Inimigo

Ti*

Mal tenho dormido,

na minha cabeça há um zumbido,

umas ideias tão más,

que me ocorrem,

assim como lágrimas,

que me escorrem,

de saudade,

de tristeza,

de impotência,de frieza.

O mundo tornou-se inimigo,

tornou-se frio,

silencioso.

As poucas pessoas,

olham-se como doentes na rua,

se estão no teu passeio,

atravessam para outro lado,

tristes,

não sorriem,

passos velozes,

mal se ouvem vozes,

um carro entre outro que passa,

porque nos aconteceu tal desgraça ?!

Porque passamos a ser,

a estar afastados,

de quem amamos,

como prova de que o sentimos,

e que esses são quem mais desejamos,

como é possível?!

De um dia para o outro,

não se abraçar ou beijar,

como forma de amor expressar...

Como pode ser, 

estar em casa a se esconder,

sem um até quando saber...

31
Mar20

Gestão familiar

Ti*

Há quem junte gerações,

esqueça sermões.

Quem coleccione sentimentos,

esqueça os que foram , até violentos.

Há que junte a amizade,

e se esqueça do que é lealdade.

Há quem junte a coerência,

e se esqueça do que é decência,

se complique na ausência,

do que é viver em decadência.

Há os que sabem fazer sorrir,

e os que nasceram para mandar vir,

há os que imploram por mais comer,

e os tolos que a comer, querem emagrecer.

Há os ingénuos de bondade,

que são esquecidos pela raridade.

Há os que inventam desculpas,

e se apanham nas próprias culpas.

Há os que transformam as horas,

em pedaços de carinho,

são esses que na minha vida,

nunca me deixaram sozinho.

São os que amam e sentem saudade,

e mandam um OI com felicidade,

de quem recebe um até daqui a um ano,

e mesmo assim não reclamam,

percebendo que há essa vontade.

Há os que pensam que a vida,

é para depois,

e se esquecem,

de quantos momentos se desperdiçam ,

vivendo somente a dois.

30
Mar20

Antiga casa

Ti*

Terei saudades das vozes estridentes

e alarmadas dos alunos da escola ali ao lado.

Dos murmúrios domingueiros,

da fruta fresca e dos saldos dos sapatos.

A falta que sentirei do pão fresquinho e ainda quente do Creamy ,

da creparia ambulante ,

que gente nunca lá vi nem por um instante,

mas que num cumprimento nunca foi deselegante.

Do descampado coberto de lama,

das botas encharcadas,

dos passeios cheios de gente,

de anseios por pratos e iguarias,

das imensas barrigas, ainda vazias.

De sons nada simpáticos e sorrisos burocráticos,

dos correios ao talho,

do cabeleireiro ao retalho,

da viagem entre o Estrela e a compra do alho.

Foram cinco anos de muitas vivências e existências,

de muitas arrelias e resistências,

e agora que saí dali ,

saudades registo aqui.

Foi um amor crescente ,nem sempre sorridente,

mas de cada um dependente,

obrigada terrinha do movimento,

obrigada novo lar <3

 

29
Mar20

Eu e as palavras

Ti*

Escrevo desde o ensino preparatório , a minha irmã escreve, e muito bem,  e acho que me passou esse bichinho.

Este poema saiu no jornal da minha escola, porque uma vez , o escrevi na porta da casa de banho.

Não sei porquê, nem sobre quem. Acho que quem escreve como eu, nem sempre sabe onde vai buscar o filme que retrata.

Foi em 2005.

 

Tua

 

Já lá vai algum tempo,

tuas palavras não me saem da cabeça,

foste frio, bruto, cruel... mas mereci!

Mesmo assim, talvez tenha ainda aquela ânsia,

que desde o inicio me fez sentir amor por ti.

Nunca quis acreditar que isso seria amar,

mas é verdade e agora não suporto sem ti estar.

Não quero encarar-te e sentir que podias ser meu,

que te rejeitei , apesar de te querer.

Não mais quero pensar nesse teu doce olhar,

que chegava a invadir-me,

que me fazia tremer cada vez que te aproximavas,

mas agora, eu já era!

Acabaste de me ferir e também de me amar,

e agora por de trás desta ferida,

existe uma culpa que não posso esconder,

pelo medo que tinha,

acabei de te perder!

 

 

 

 

 

 

 

 

28
Mar20

Chupa chupa de coca-cola

Ti*
Sou gulosa por natureza,
daquelas pessoas que têm fome,
só de gordices ,
só porque sim,
está sol,
pimba um doce,
chove, estou deprimida,
pimba um doce,
meto para dentro doces sem fim..
e gomas ?
gomas é um pacote,
tudinho só para mim,
mas hoje...
na quarentena parva...
era um chupa chupa ...
sabor a coca cola,
o que me caia bem,
e esse doce realmente sei que consola,
é doce,
tem sabor a coca-cola,
adoro cola,
sei que faz muito mal,
sei que engorda bué,
mas sabe-me pela vida 
aí p*** que p**** a quarentena, 
que vou rebolar daqui a nada...
27
Mar20

Saudades

Ti*

Hoje sinto saudades de tudo o que podia,

do que achei garantido que sempre teria,

liberdade e por sua vez alegria,

achei que a vida que levava,

até há 15 dias atrás,

era uma vida feliz,

não parava,

os dias eram agitados,

saía cedo de manhã,

cantava no carro,

via rostos suados,

corpos dançando animados,

banhos em gritos falados,

sorrisos que tenho bem guardados,

que melhor podia ter, para o dia bem começar ?!

Trabalhava com pessoas que gosto, muito,

olhava-as ,cumprimentava-as,

ficava contente quando me devolviam o sorriso,

que mais era preciso ?!

saía do trabalho ía aos meus pais,

tinha colo, tinha mimo,

e por vezes doçaria,

do que mais precisaria ?!

Chegava a casa,

a cama estava quente,

havia companhia,

alguém que perguntava e contava o seu dia,

que mais eu queria ?!

Tinha ao fim de semana,

um trabalho com o aço,

que me ligava a pessoas,

a gentes noutro espaço.

Ganhava algum e tinha amigos,

e agora todos estes afastamentos,

parecem é ser castigos.

Hoje tenho a cama quente,

contar ou falar sobre o dia é irrelevante,

trabalho a partir de casa,

não saúdo os meus colegas,

não falo com os mais chegados,

não vou ao ginásio,

não faço nada do que gosto,

a não ser comer,

para o desgosto entreter.

Prendi-me a um ecrã,

é bom para distrair e exercitar .

Mas quero dos meus os afectos,

preciso deles,

sem eles não vivo,

amo abraços,

amo o mimo de estar ao lado de alguém!

Amo e preciso 

Oh Deus ,

extermina o vírus,

e faz-nos á vida voltar ! 

26
Mar20

Passeio higiénico

Ti*
Fui à rua,

O que senti foi devastador,

As gentes nas janelas ,

Sozinhas,

Aguardando que uma alma fale com elas,

De olhares tristes,

Não se vê ninguém a caminhar,

Não se vê carros,

Cafés fechados,

Ninguém na estação para apanhar o comboio,

As paragens dos autocarros estão vazias.

Vim para me combater a mim mesma,

Para preservar as paredes da casa que eu sempre quis,

Para não acelerar a mente de quem comigo vive,

Para tentar manter um de nós,

Com a mente sã,

As lágrimas são impossíveis de esconder,

Isto é demasiado duro,

Estar sem liberdade absoluta,

Nunca pensei viver nada assim,

Agora sei que nunca me restringiram de nada,

Que fosse realmente importante para mim,

E hoje sem amigos por perto,

Sem o amor físico dos meus,

Não sou capaz de estar plena e bem,

Apenas segura.

Vamos ficar bem,

É o que espero também.

Esta falta de ar,

Faz-me agora valorizar a brisa que corre,

Faz-me sentir os meus pés no chão,

O tranquilo da paisagem,

Que esta à minha volta,

Cores que nunca tinha visto,

O cheiro das ruas,

A quietude agora de tudo,

Antes num frenesim,

O sol que me aquece,

E felizmente me faz olha-lo a sorrir,

E de olhos fechados,

Mais uma lágrima deixar cair.
25
Mar20

Dias sem sol

Ti*
O dia está sombrio,

Sem sol para mim,

Mas ele brilha alto,

Mas não me aquece tanto assim.

 

O frio está cá dentro,

Não dentro de casa,

Mas dentro de mim,

E não estou tão mal assim.

 

Não estou mal de amores,

Não sinto que haja dissabores,

Não me parece que se ouçam rumores,

Só não gosto é na verdade de flores.

 

É que não se ouvem as buzinas,

As correrias das gentes,

Não se ouve o som de nada,

E custa ser assim de repente.

 

Sentada na cadeira ,

Ou até mesmo no chão,

Escrevo de qualquer maneira

Para combater a solidão.

 

Não por estar sozinha,

Isso eu sei que não,

Mas por me sentir perdida,

Nesta altura de aflição.

 

As lágrimas são palavras,

E essas nunca têm fim,

São as mais fiéis a nós,

Nunca dizem nem que não nem que sim.
23
Mar20

Vagas palavras

Ti*

Andamos neste mundo,

perdidos sem saber,

o que saber ao certo ,

sem  apenas querer sofrer.

 

Comemos o que podemos,

gastamos mais do que temos,

no fundo nós só fazemos,

aquilo que não devemos.

 

Apetites sem regra,

desejos sem medida,

apertados, á rasquinha,

mas felizes da vidinha.

 

Somos seres incompletos,

loucos até dizer chega,

mas é nestes caminhos desertos,

que lutamos por objectivos concretos.

 

Paz e amor,

dizemos sentir,

mas lá bem no fundindo,

podemos estar a mentir.

 

Amizades, amores,

desânimos e terrores,

misturas de emoções,

explodem como canhões.

 

Melodias que desatinam,

pessoas que simplesmente fascinam,

experiências que  intimidam,

e ao mesmo tempo nos ensinam.

 

Metáforas, comparações,

palavras soltas e indiferentes,

que tanto tem de irreverentes,

e tanto nos deixam expectantes.

 

Dias que não passam,

estações que perduram,

tudo está ao contrário ,

vivemos neste triste cenário.

 

Em reflexo do pouco dito,

aqui fica algo descrito,

como desconhecendo ao certo,

o que significa um verso...



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